quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Lampejo de memória


Como todos os dias, nada muito diferente dos demais, estava arrumando á louça, uma de minhas tarefas caseiras, mais é engraçado esses momentos, quando dizem que não somos nós que lavamos á louça, mais á louça que nos lava, ou nos leva, eu sou obrigada á concordar, pois são momentos corriqueiros assim, que nos vem á mente as lembranças mais remotas e mais doces de nosso passado, hoje, não foi diferente!
Minha avó sempre me diz "Seu avô te amava muito fia, ele tinha aquele jeito dele, carrancudo, mais ele fazia tudo por você, era o xodó dele..." Apesar dele ter ido novo, e de uma forma extremamente dolorosa, eu tenho na memória a forma como meu avô sempre me tratava, por mais que, depois de crescida e de seu falecimento eu virá á descobrir algumas coisas sobre ele das quais eu não me orgulho muito, isso de forma alguma conseguiu diminuir ou abalar o meu amor por ele, que está sempre ao meu lado, mesmo não sendo físico. Essa lembrança veio tranquila em minha mente. Era madrugada, estava retornando da cidadezinha dos meus avós maternos, ao chegar com os meus pais, ao abrir á porta, me deparei com os dois acordados á nossa espera. Uma festa, uma bagunça danada em plena madrugada, como esses retornos sempre me deixavam felizes, abraços daqui, beijos dali, eu devia ter por volta de cinco anos de idade, não me recordo se tomamos café, ou se apenas tomei meu famoso "tetê" (rs) mais uma coisa que me lembro nitidamente foi de ir dormir com eles depois, a cama de casal deles tinha se tornado um tanto apertada desde que eu nascerá. Deitamos, eu ao lado da minha avó, onde mais tarde deu-se espaço á minha cama, pois durante um ano ali fora meu quarto e meu lugar de repouso, do lado deles. Essa lembrança veio aquecer meu coração, pois sorri, de saudade daquele dia, daquela época, onde tudo parecia tão simples e feliz ao meu redor, mais sem dúvidas á saudade maior é a do meu avô, que mesmo turrão, carrancudo, abria um sorriso largo todas as vezes que me via, me trazia leitinho e pão da rua, pois sabia que eu adorava, e principalmente, me amava, do jeito dele, mais me amava, e isso está cravado no meu coração, para sempre. Nossa mente é onde nossas lembranças, nossas memórias, tudo o que somos e fomos faz morada, é nosso referência, nosso consolo, nosso acesso mais inteiro e completo para trazer de volta aqueles, que mesmo que se foram, estarão sempre lá, por isso acho o mal de alzheimer, uma das doenças mais ingratas e cruéis que um ser humano pode obter em sua velhice, por que é justamente na velhice onde alcançamos nossas experiências, um pouco de sabedoria e principalmente muitas vivências, memórias, lembranças, de lugares, de pessoas que se foram, que retornaram, que ficaram, da família, dos amigos, dos amores, sua referência e perder isso é muito cruel, para ele e para família, por isso rezo á Deus que mantenha isso intacto em mim, minhas memórias, minhas lembranças ao qual sou extremamente grata por poder ter e acessa-la, sempre que bater saudade, sempre que querer reviver, lembrar de um tempo, de um sorriso, de um instante. Reconforta o coração e aquece á alma! 

Um comentário:

  1. Olá Aline, gostei muito do seu blog, você se expressa muito bem e tem uma sensibilidade muito forte. Continue escrevendo e se expressando, você é muito boa nisso. Mas gostaria de te dar umas dicas de português para melhorar ainda mais a sua escrita. Espero que não me leve a mal, mas é porque sou professora e gosto de orientar. Vi nos seus textos o uso incorreto do "mais". Muitas pessoas confundem mesmo o "MAS" com "MAIS", mas é bem simples a diferença. "MAIS" se usa quando é referente a quantidade, quando é oposto de menos, e "MAS", quando é referente a condição. Uma técnica muito simples é substituir o "MAS" por "porém", "todavia", "contudo", se encachar é porque é "MAS" e não "MAIS". Uma outra dica é quanto ao uso do verbo "haver". Quando a frase indicar tempo decorrido se usa "há" (ex: há muito tempo (certo) e á muito tempo (errado). Esse "á" com acento agudo não existe sozinho, só quando forma uma palavra como: árvore ou água. O que existe é o "à" craseado, um exemplo é: às vezes (à com crase), e não "ás vezes" como acento agudo como você escreve. Bom, essas são as minhas dicas, espero que te ajude. Parabéns pelo blog e por suas referências literárias. Dá gosto ver jovens que se dedicam a leitura e a escrita. Até mais. Sandra Mara.

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