quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Confie em sí mesmo...


Como diria o meu querido Renato Russo: "Se você quiser alguém em quem confiar, confie em sí mesmo..."

Não á sentimento pior do que descobrir que aquelas pessoas na qual mais deveriam conhecer e confiar em você, na verdade vivem em uma eterna dúvida, não sabendo quem realmente você é.

Não importa o quão certo e ajuizado você foi no decorrer da sua vida, sempre houve desconfiança e dúvidas. Resolvi então simplesmente deixar o ponto de interrogação sem respostas, ser fiel ao que sou, ao que me tornei no decorrer da minha vida. Confiar em mim mesma, nas minhas escolhas e no meu carater, acima de tudo, e de todos. Machuca saber que ser correto, hoje em dia é sinonimo de influenciável aos olhos daqueles que mais deveriam te conhecer, por te acompanhar em todo decorrer da sua vida.
O cansaço vem, junto com á descepção, mais manter á cabeça focada no futuro, no que você se tornou e em seus sentimentos... enfim, ser fiel acima de tudo á você mesmo, não tem preço.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um mero conto torto.

Depois de alguns anos sem escrever meus antigos contos... estórias simples e até mesmo inocentes no auge das minhas doze primaveras vividas. Depois de quase dez anos de um possível bloqueio, me veio essa estória em mente, e as idéias surgiram, com lugares, nomes e personagens. Me senti de volta com 12 anos, uma mente repleta de idéias e uma necessidade enorme de pô-las para fora. Uma história simples. Um mero conto torto.

Por: Aline Cenedese.

Aquele mês de Março.

Não é uma história diferente das outras, porém é a minha história, ou uma parte extremamente marcante dela. Um passado que não passou uma dor que nunca cessou. Uma saudade eternamente presente! Isso já faz alguns bons anos. Mais para mim é como se fosse ontem. Enquanto caminho e leio o antigo diário, a cicatriz reabre. Junto com as lembranças e a saudade. Uma dor incontrolável de um mês que jamais voltará. Essa é a minha história, ou como disse apenas uma parte extremamente marcante e inesquecível dela. Retratadas nestas velhas páginas do antigo diário.


Segunda – feira, 06 de março de 2000.

Era uma segunda feira á noite. Eu estava saindo do trabalho, como de costumo e indo para faculdade. A mesma velha e maçante rotina que invadia meus dias.
Chamo-me Helena Dias, nascida no Rio e criada em São Paulo. Meus pais mudaram para São Paulo comigo, quando tinha uns dois anos. Do Rio, possuo apenas antigas e amassadas fotografias. Algumas nos antigos porta-retratos que tenho na sala de estar. Nada muito fora dos padrões. Tenho poucas fotos de minha infância, mais gosto bastante delas, retratam uma época da minha vida em que era realmente feliz.
Faço faculdade de administração e estagio e um escritório. Nada de especial. Queria fazer Artes Cênicas. Na infância sempre gostava de participar das pecinhas de teatro, me sentia viva no palco, livre. Tinha nos meus personagens uma forma de realização de sonhos, tudo o que eu queria ser, eu podia ser, e isso me fascinava. Porém me deixei convencer que esse ramo não me traria um futuro promissor. Papai sempre dizia “Seu bolso é seu guia. Construa uma carreira sólida e teraz tudo que deseja!”. Faltando ainda dois anos para me formar, me forçava á acreditar nisso. Tenho 24 anos, comecei o curso um tanto tarde, após terminar o ensino médio tirei uns anos de folga, fiz cursos, como inglês e espanhol. Não tenho nada muito aprimorado, mais me viro bem. Não tenho muitos amigos, sou um tanto introspectiva, muito na minha e muito dificilmente assuntos considerados bacanas pela galera da minha idade, não me interessam. Então não possuo muitos amigos. A especial delas é a Luiza. Um amor de pessoa, sempre querendo me ver para cima, sempre tentando me fazer sorrir, dizendo que preciso de um namorado para levantar minha autoestima, ás vezes ela fala apenas de brincadeira, apesar de ter á convicção que isso não ajudaria a sumir com o vazio que sinto dentro de mim! Ás vezes era uma sensação de não sentir, o que é pior, por que você não sabe como se sentir. Triste? Alegre? Frustrada? Ansiosa? Não. Absolutamente nada. 


Terça – feira, 07 de março 2000.

Na manhã seguinte, havia tomado banho, estava atrasada como de costume. Troquei-me às pressas, engoli duas torradas que mamãe havia deixado sobre á mesa antes de sair para sua caminhada diária, e corri para o ponto de ônibus. E mais uma vez ele havia passado bem diante dos meus olhos, era sempre á mesma coisa, me atrasava, o perdia. Quinze minutos mais tarde ele passava, provavelmente escutaria horrores da minha chefa, como sempre, mais tudo bem, já estava acostumada. Cheguei ao escritório, ela perguntou o motivo do meu atraso, e eu mais uma vez inventará á mesma velha desculpa “Desculpe Dr. Ana, o transito estava impossível”. Porém, pela primeira vez desde que havia começado ali, ela me olhou nos olhos e disse “tudo bem, isso acontece”. Sinceramente, ela me assustou com á sua expressão! De piedade? Não sei dizer ao certo. Mais fiquei um tanto intrigada por ela ter sido tão complacente. Fui ao banheiro checar minha expressão, devia ter algo ali, que nos outros dias não tinha. Entrei no banheiro, fechei á porta e encarei minha face no espelho. Susto? Acho que foi isso que levei de inicio. A imagem refletida no espelho era de uma pessoa extremamente pálida, magra e apática, com os olhos completamente negros, sem vida. Demorou a cair á ficha de que aquela pessoa era eu. Fazia uns pares de semanas que eu não me olhava no espelho com atenção, apenas punha á roupa de trabalho, dava uma olhada rápida para ver se todas as peças estavam ali, pegava á mochila e saia às pressas. Mais agora aquela pessoa refletida no espelho estava me assustando. Só pude me perguntar uma coisa. Como deixei isso acontecer? E á partir de que ponto?
Passei o dia me questionando enquanto tentava concentrar-me nas minhas tarefas.
Saí correndo, o ônibus passaria em dez minutos e eu tinha prova, não tinha estudado muito bem, e muito menos tido uma boa noite de sono. Cheguei atrasada, esse era meu sobrenome. Resultado. Perdi á prova, porém, precisava buscar uns livros na biblioteca, o que me fez ir direto para lá. Foi então que á vi e meu mundo parou!
Não entendia ao certo, o que sentia, era um misto de pânico, garganta seca e estranheza, pela sensação que sentia. Ela era quase da minha altura, um corpo não muito magro, mais também não tão malhado, que por incrível que pareça me prendeu completamente. Tinha os cabelos negros e ondulados, a pele branca e os olhos. Ah, os olhos. De um azul deslumbrante e hipnotizante. Simplesmente não conseguia desviar meu olhar daquela obra divina que estava ali, perante á mim. Foi quando despertei do transe. Ela estava indo em minha direção, e eu só me dei conta disso quando ela parou na minha frente, abriu um sorriso e disse:

- “Olá, me chamo Alice! Pode me ajudar aqui, estou meio atrapalhada”

Não sei o porquê fiz aquilo, mais me apresentei de imediato á ela e começamos á conversar como se fossemos velhas amigas..

Quarta – feira, 08 de março de 2000.

Seu nome era Alice Vinhedo. Ela tinha 22 anos e estava ali atrás de um livro para seu irmão, que por coincidência, era o mesmo que eu havia ido buscar. Seu irmão era Lucas, um colega da minha sala. Ele não havia ido à aula, pois estava doente, e ela havia trazido o atestado, justificando á falta e em busca do livro no qual ele precisava.
Eu á ajudei em sua busca, e por sorte havia dois exemplares não emprestados. Retiramos o livro e como havia perdido á prova e não estava com cabeça para assistir ás outras aulas, fomos tomar um sorvete na sorveteria que havia próximo á universidade. Ela pediu de chocolate com menta e eu o tradicional morango. Ficamos sentadas ali, horas, conversando. Ela perguntou se eu era amiga de seu irmão, se gostava do curso, em que trabalhava. Eu respondi que apenas havíamos trocado algumas poucas palavras sobre alguns assuntos relacionados á provas, tínhamos uma relação extremamente cordial. Ela me falou sobre ela. Fazia poucas semanas tinha iniciado um curso técnico de fotografia, um grande sonho que estava realizando. E ali ficamos quase três horas conversando sobre tudo um pouco. Era estranho, por que eu não estava acostumada á me sentir tão bem daquela maneira, eu não costumava á falar muito, nem com Luiza, ela sempre reclamava dos meus devaneios. Mais com Alice era diferente, eu queria falar, queria que ela me conhecesse, e eu, de fato, queria conhecê-la. Tínhamos alguns gostos musicais em comum, como Cazuza e Cássia Eller. Ela gostava de cinema e alguns programinhas simples, caseiros. Disse á ela que meus pais sairiam de viagem naquele fim de semana e que não tinha muito que fazer, então chamaria minha amiga para comer umas besteiras e ver algum filme. Perguntei se ela gostaria de ir, pois também não possuía muitos amigos, e á pouco tempo havia terminado um namoro de um pouco mais de um ano, o que á estava animando era seu curso de fotografia e sua nova câmera Canon que havia conseguido comprar com muito esforço, depois de um tempo economizando. Saímos da sorveteria quase 11 da noite, quando nos demos conta que os ônibus logo parariam de passar. Ela não morava longe, mais á ideia de deixa-la partir... Trouxe-me de volta aquele vazio que sempre esteve ali, mais que naquelas poucas horas, havia simplesmente sumido. Esperei o ônibus com ela, nos despedimos, ela me passou seu número de telefone e o email para que eu pudesse acha-la. Ela subiu para o ônibus, e eu senti á tristeza no peito de vê-la indo embora. Ela me deu um longo e largo sorriso da janela, que simplesmente me fizeram esquecer onde eu estava. O ônibus partiu, e poucos minutos depois, o meu chegou. Cheguei em casa, e aquela noite, aquelas ultimas horas não saiam da minha mente, seus olhos, seu perfume. Tudo estava extremamente presente e vivo em mim. E eu me perguntava constantemente o porquê daquilo tudo, e o que estava acontecendo. Adormeci, e sonhei com ela.
No dia seguinte estava eufórica pelo fim de semana, estava ansiosa, queria saber, dela, falar com ela, saber como tinha sido o seu dia. E assim, o restante da semana se passou ansiosa, extasiada. Querendo muito vê-la novamente.

Sábado, 11 de março de 2000.

Luiza me acorda as 08h00min da manhã para dizer que não poderá passar o fim de semana comigo, pois surgiu um problema de família, algo com o tio dela, que não consegui compreender direito, pois estava adormecida ainda. Lamentei, mais, de certo modo, estava feliz, pois ia ficar sozinha com Alice. E isso ao mesmo tempo me assustava. Não era tão estúpida assim, sabia que aquele súbito ânimo, aquela alegria inconsciente que tinha todas as vezes que pensava em seu sorriso, em seus olhos, em seu perfume, não eram apenas meros sinais de uma simples amizade.
Nunca fora uma pessoa muito “namoradeira”, como diria mamãe. Sempre fui uma pessoa extremamente na minha, os meninos da minha idade nunca me interessavam. Sempre tão infantilizados, com piadinhas de mau gosto e atitudes indevidas. De uns cinco anos para cá havia deixado de investir em qualquer possível relacionamento, e a solidão, pareceu extremamente reconfortante, perto do que já havia experimentado.
Após a ligação de Luiza, não consegui mais dormir. Levantei, me troquei e fui correr no parque que havia ao lado da minha casa. Peguei meu celular, e coloquei músicas para poder caminhar, e começa á tocar “as coisas tão mais lindas” da cássia. Automaticamente associei á musica á Alice. Não sabia o porquê, mais a letra traduzia com absoluta exatidão tudo o que eu sentia por ela. Dei algumas poucas voltas com aquela mais recente descoberta da minha cabeça, que quando pisei em casa, nem havia me dado conta de como havia chegado até lá. Entrei e fui direto ao banheiro. Tomei um banho e preparei algo para comer. Quando estava perto das 14h00min, estava extremamente ansiosa. Meu celular toca, e para minha surpresa, era ela.
Atendi, quase que sem voz, pela euforia:
- “Alô, Helena?”
-“Sim?”.
-”Oi, como está? Eu gostaria de saber se posso chegar com umas horinhas de antecedência. Estou sozinha em casa, meus pais saíram e meu irmão foi na casa de um amigo. Realmente, não gostaria de ficar sozinha. Posso ir?”.
Não acreditei que aquilo estava acontecendo. Comecei á me questionar se ela estava tão ansiosa para me ver, como eu estava para vê-la. Mais deixando essas questões de lado, tratei de respondê-la com á máxima calma que me era permitida naquele momento.
-“Claro Alice, venha sim. Eu te espero no ponto, ficará mais fácil para você não se perder. Estou á sua espera, quando estiver perto, me dá um toque, certo?”.
-“Muito Obrigada Helena, espero não estar incomodando, estou de saída neste exato momento, em meia hora, quarenta minutos, no máximo estou aí. Um grande beijo”.
-“Que isso Alice, incomodo nenhum, estou na sua espera. Um grande beijo”.
Desliguei o celular e voei para o quarto.

Sábado, 11 de março de 2000. (continuação)

Esvaziei meu guarda roupa na procura de algo que me caísse bem, mais parece que bem naquele dia, nada se ajustava, tudo ficava estranho, e eu queria me arrumar, estar bonita para que ela me notasse. Engraçado, ri quando essa ideia me passou despercebida pela cabeça. Eu não fazia questão de me arrumar para o trabalho, nem para sair, mais neste sábado, para ela, eu queria estar impecável.
Acabei vestindo uma regatinha preta, uma saia jeans simples e uma rasteirinha. Estavam um tanto largas, acho que havia perdido peso nos últimos tempos, mais não havia notado até então. Olhei para o relógio, haviam se passado quase vinte minutos, ela estava prestes á chegar, voei para o banheiro, tomei um banho de perfume, passei várias vezes a escova nos cabelos, escovei os dentes impecavelmente. Uma olhadela rápida no espelho. Tudo ok! Estava sem maquiagem, não havia tempo de passar. Mais pude notar na imagem que refletida no espelho, uma jovem com um semblante um tanto mais vivaz, um pequeno vestígio de brilho nos olhos. Ri de mim mesma, e saí disparada, estava atrasada, como de costume.
Exatos quarenta minutos depois, seu ônibus parou no ponto, e pude apreciar uma das visões mais bela que já tive o privilégio de ver, na minha vida. Ela desceu do ônibus, os cabelos úmidos, com um vestidinho lindo florido e uma rasteirinha branca, um sorriso que mais uma vez me fez entrar em êxtase, e aqueles olhos azuis que me afundaram no mais profundo azul vivaz que eu pude conhecer. Estática, foi como eu fiquei diante daquela criatura bela andando em minha direção. Não quis nem imaginar á minha cara de pateta no momento. Ela parou diante de mim, com uma pequena mochila nas costas e me cumprimentou:
-“Olá Helena, como está? Poxa, você está diferente hoje do que do dia que nos vimos. Está mais corada, mais... vivaz. Está linda!”.
Dizendo isso ela me abraçou e me deu um beijo na bochecha. Senti uma corrente elétrica percorrer meu corpo, um formigamento na minha bochecha, e eu ainda estava muda. Quando á vi parada ali, com um pequeno ponto de interrogação surgindo em sua testa, eu dei um salto, e despertei. Esta altura ela provavelmente estava começando á ter medo de mim.

-“Olá Alice. Mil perdões, eu estou mais área do que de costume hoje. Muito obrigada pelo elogio. Realmente aquele dia que nos vimos estava um tanto ruim mais hoje estou me sentindo maravilhosamente bem. Como você está?”.
-“Quer saber um segredo? Aquele dia também estava ruim, mais depois de nossa conversa, tudo melhorou. E hoje estou feliz por estar aqui. Não sei qual á magia que você usou, mais teve excelentes resultados”.
Demos risada e á partir daí tudo voltou á fluir naturalmente como no primeiro dia que nos vimos. Ainda estava um pouco nervosa, e pelo que pude perceber, ela também estava. Levei-a para casa, mostrei o quarto de hóspedes onde ela dormiria, ela olhou tudo atentamente e sorria á cada cômodo que entrava. Sua risada parecia uma melodia aos meus ouvidos. Minha nossa! Como essa menina exercia esse poder sobre mim? Como tudo isso havia acontecido? Como eu estava com ela em minha casa, uma completa estranha, que me fascinava por completo á cada sorriso e olhar que me dava? Eu não sabia as respostas, pelo menos, não naquele momento. Apenas aproveitava aquele sábado tão inusitado em minha vida, com aquela presença maravilhosa que havia caído de paraquedas naquela noite em que me sentia um zumbi viva, e me trouxe de volta com apenas poucas horas de contato.
Acabei de mostrar á casa para ela. Não era muito grande, tinha três quartos, uma sala, um banheiro, uma cozinha com um espaço relativamente bom, e nos fundos um quintal, com uma pequena plantação, e uma rede. Ficamos ali conversando, ofereci á ela comida, mais ela tinha almoçado já. Mais aceitou um suco, disse que tinha bebidas alcoólicas, mais era melhor deixar para de noite, ela concordou, e tomou o suco.

-“Sua casa é belíssima. Muito confortável. E eu não podia deixar de reparar nos retratos de família, em especial de uma garotinha com os braços estendidos igual o do cristo, é você? Posso olhar?”.
Levantei da antiga cadeira de área que havia no quintal, entrei em casa e peguei o antigo porta-retratos nas mãos. Estendi para que ela pudesse pegar, e nossas mãos se tocaram. Pude sentir á mesma corrente elétrica percorrer meu corpo naquele exato momento, e meu rosto corou na hora, percebi que o dela também estava corado, e sorri timidamente. Ela me devolveu o sorriso tímido, pegou a fotografia e começou á olha-la. Sentei-me novamente na antiga cadeira de área, e passei á admira-la. Ela estava sentada na rede, olhando o retrato, com olhar misto de curiosidade e ternura pela criança contente na foto. Ela me perguntou como havia sido aquele dia.

-“Não me recordo, tenho apenas fragmentos de memória, era muito pequena, devia ter uns dois anos e meio, no máximo. Mais me recordo vagamente deste instante. Lembro que estava toda saltitante por que iria conhecer o “papai do céu” e tiraria um retrato com ele. Quando fiz á pose para tirar a fotografia, lembro que uma leve brisa soprou no meu rosto, e eu podia jurar que era Deus que estava me acariciando com suas mãos. Eu sei que parece tolice, mais desde este dia, toda vez que sinto uma leve brisa no rosto, tenho certeza que é Deus me consolando, ou simplesmente me fazendo um carinho. Desculpe por falar tantas tolices, é que conversando com você, acabo falando além da conta”.
Dei um sorriso meio tímido de canto, percebi seus olhos em mim, o que me fez corar na mesma hora. Ela se levantou, veio até meu lado, segurou minhas mãos entre as suas e me disse.
-“Ninguém nunca me descreveu uma ligação tão intima e linda assim com Deus, e eu não acho tolice. Acho isso belo e raro. Hoje em dia as pessoas não reparam mais nessas pequenas sutilezas e nem mesmo associam Deus á essas belezas que ele nos oferece, e que muitos não percebem. Muito obrigada por partilhar isso comigo.”.
Mais sorrisos tímidos. E assim á tarde se passou como num piscar de olhos.
Na chegada da noite, não saímos, como havíamos decido mais tarde, estava tão gostoso ali, tão leve o ambiente entre gargalhadas e timidez, que resolvemos pedir uma pizza e abrir uma garrafa de vinho.
A Pizza chegou, pegamos uns pratos e comemos na mão mesmo, não estava passando nada de interessante na televisão, então resolvemos comer lá fora, no quinta mesmo. A noite estava extremamente agradabilíssima. Sentei na cadeira de área, e deixei que ela ficasse confortável na rede. Colocamos um banquinho com a pizza em cima, e abrimos o vinho. Era aquele baratinho, com pouco teor de álcool, tomamos naquelas taças de plástico mesmo, e devoramos á pizza em poucos minutos. Tirei á caixa da pizza que havia restado e apoiei os pés, me recostando na cadeira de área. De repente á escuto falar em um tom doce e alegre.

-“Ei, senta aqui na rede comigo e vem olhar á lua, está incrivelmente maravilhosa, e o céu, apesar do breu de sempre, hoje me parece incrivelmente estrelado, vem ver, anda”.
Não me pergunte se demorei mais que um segundo para estar me aninhando ao lado dela. Minhas pernas pareciam ter vontade própria, e é como se o meu corpo, necessitasse ficar próximo o dela. Deitei ao seu lado na rede, e com o peso de ambas, acabamos quase que deitando uma sobre á outra. Rimos no mesmo instante. Porém, algo estava acontecendo ali. No momento que paramos de rir, nos olhamos profundamente, á brisa leve soprando naquela noite mágica, á lua iluminando nossos rostos. Sua respiração começou á acelerar, senti novamente a eletricidade percorrer meu corpo, e pelas sensações que o corpo dela denunciava em baixo do meu, pude perceber, ou melhor, pude ter á certeza, que á mesma eletricidade percorria o corpo dela também. Olhávamos-nos em puro êxtase. Não conseguia me mover um milímetro que fosse com medo do encanto se quebrar. A lua refletida em seus olhos azuis aumentava ainda mais o poder que ela exercia sobre mim, naquele momento.
Senti uma mão subindo minha nuca e quando comecei á entender o que ia acontecer, não houve tempo de reação. Ela puxou minha nuca e encaixou meus lábios nos seus. Demorei a assimilar, não sabia se era sonho, se realmente estava acontecendo, mais não pensei, simplesmente agi. Meu corpo queria aquilo, queria senti-la á todo custo, como se dependesse daquele beijo para sobreviver. Com um braço abracei sua cintura em baixo de mim, sem nem me importa com o peso que estaria fazendo sobre ela, com outro puxei seu rosto para mais perto de mim, se é que era possível. Nossas bocas dançavam em uma sintonia incrivelmente perfeita. Seus lábios eram de uma maciez inigualável, minha língua queria tocar cada cantinho de sua boca, descobrir cada território, sentir, sugar todo o seu doce hálito. Não percebi quanto tempo ficamos daquele jeito, mais quando o beijo cessou. Olhamos-nos, não havia nada á dizer. Havia um milhão de perguntas. Mais não era hora de serem proferidas, muito menos ser entendidas. Levantei da rede, e estendi á mão em sua direção. Sem hesitar ela á segurou com toda força. A puxei para mim, enlacei meus braços em sua cintura e fomos para casa. Entramos no meu quarto, e eu estava completamente certa de que eu á queria, mais do que tudo, meu corpo necessitava tê-la, senti-la de todas as maneiras, e por milagre que fosse eu estava calma, mesmo não sabendo o que fazer, simplesmente deixaria meu corpo me conduzir. Ela se sentou na cama, e me olhou com um olhar, misto de desejo, medo, e desespero. Sua respiração estava extremamente ofegante, sua boca entreaberta. Não precisei de respostas. Aproximei-me dela, e deslizei seu corpo suavemente, até estar completamente deitado. Comecei á beija-la calmamente, mais logo o beijo se intensificou misto de urgência, desespero e necessidade, nossas bocas de moviam sem parar, nossas mãos dançavam sobre a pele quente. Passei meus lábios ao seu pescoço, senti suas unhas arranharem minhas costas sobre á blusa, e aquilo apenas atiçou-me mais. Dei uma leve mordida em seu pescoço e ela soltou um suspiro alto, quase um gemido. Aquilo foi o estopim. Meu corpo necessitava sentir seu calor, e era imediatamente. Fui descendo com meus lábios, beijando seus ombros, até chegar aos seios. Toquei-os levemente sobre o fino tecido que cobria seu corpo e desesperada, rasguei o vestido que ela vestia. Ela só estava de calcinha de renda agora. E eu não pude deixar de admira-la. Seu rosto transmitia desejo, suas pupilas estavam dilatadas, sua respiração extremamente ofegante. Não resisti, afundei meus lábios em seus seios. Mordiscando-os levemente para não machuca-la, porém o efeito surtia ao contrário, á cada vez que intensificava os movimentos com a boca, seus gemidos aumentavam. Senti seu corpo ferver embaixo do meu. Arranquei minha saia e minha camiseta em poucos segundos. Agora ambas estávamos de calcinha. Era um caminho sem volta. Nossos corpos exigiam que continuássemos mais nossas mentes nos denunciava. Ela me olhou. Um olhar de desespero, de urgência, e eu tive certeza do que ambas queríamos. Joguei-me sobre á cama, e sem nenhum pudor devorei seus seios, mordi cada pedacinho do seu corpo, queria senti-la, sentir seu gosto, seu perfume. Beijei sua barriga e fui descendo, próximo ao seu sexo. Pulei essa parte e comecei á dar leves mordidinhas na parte interna de suas coxas. Ela estava em transe, seu corpo dançava e reagia á cada mínimo toque meu, seus suspiros fortes, rapidamente se transformavam em gemidos, que invadiam o quarto como uma melodia única. Finalmente tomei coragem e tirei sua calcinha e a minha. Estávamos finalmente nuas, nos sentindo por completo.
Deitei ao seu lado, ela me olhava. Um olhar misto de malícia, contemplação e desejo. Começou a me beijar, acariciar meus seios, minha barriga, minhas pernas. Fazendo-me arrepiar á cada toque seu, á soltar suspiros cada vez mais altos, que se misturavam aos dela. Nossos corpos dançavam, nossas mãos passeavam, na ânsia de desvendar cada segredo da outra. Ela estava sobre mim neste momento. Vire-a de costas para cama, me posicionando sobre ela, passei uma perna por entre as suas, fazendo assim nossos sexos se tocarem. Completamente guiada pelas minhas vontades, sem saber se tudo aquilo estava certo, ou não comecei á me mover sobre ela. Nossos sexos deslizando um sobre o outro. Ela soltou um grito e me abraçou mais forte, nossos corpos aumentaram os movimentos em uma dança perfeita, sincronizada, como um dos mais antigos e perfeitos bales existentes. Suas mãos arranhavam minhas costas, e aquilo me dava ainda mais prazer, quase nos fundimos neste instante, nossos corpos se moviam cada vez mais rápido, os gemidos de ambas invadiam o quarto, estávamos em puro transe, entre beijos, ardentes, movimentos intensos, me desvencilhei dela e senti uma vontade incontrolável de devora-la por completo. Abri suas pernas e sem pensar, apenas agi, mergulhei em seu sexo. No mesmo instante ouvi um grito estrondoso atravessar o quarto e ali soube que não estava fazendo errado. Ela movia-se rapidamente, agarrou meus cabelos, me guiando aonde melhor satisfazê-la. Não demorou muito, senti suas pernas começarem á tremer, e intensifiquei os movimentos, penetrei dois dedos de uma única vez nela e não deu outra. Outro grito estrondoso de prazer invadiu o quarto, seu corpo estremeceu e finalmente pude senti-la por inteiro. Mais ela ainda estava inteira, me puxou, deitou-me na cama sobre mim, e sem hesitar, penetrou-me com dois dedos. Soltei um gemido alto de prazer, de agonia. Nunca havia sentido tanto prazer em toda minha vida. Ela começou á me beijar, a devorar meus lábios. Intensifico as investidas dentro de mim, eu estava sentindo que em breve explodiria e não demorou muito, explodi em sensações. Era pura eletricidade, meu corpo, o dela. Éramos uma só. Ela recostou a cabeça sobre meu peito, nos cobrimos com o edredom e começamos á nos beijar, agora de uma forma mais leve, mais doce. O desespero, á ânsia, havia passado. Agora só restava espaço para carícias. E ficamos assim o resto da noite, até adormecermos. Sonhei com ela e com toda á maravilhosa noite que havíamos tido. 


Amanheci com um largo sorriso no rosto, me sentindo completamente leve e no paraíso. Passei á mão ao lado da cama, para senti-la, queria cobri-la de beijinhos de bom dia, não sabia como as coisas iam ser dali em diante. Mais tinha uma certeza, queria dar o mundo á ela. Estranhei quando notei á cama vazia. Embrulhei-me no edredom e saí á procura dela pela casa. Não a encontrei, nem as suas coisas. Comecei á me desesperar, meu corpo todo estremeceu, minhas pernas bambearam. Meus olhos já estavam repletos de lágrimas, meu peito doía. Sentia o vazio invadir novamente meu peito, mais desta vez com uma leva de dor junto. Avistei um envelope branco sobre á mesa da televisão na sala com meu nome. Abri-o e comecei a ler.

Minha Helena, e como não chama-la de minha, depois da melhor noite da minha vida? Sim, e você proporcionou ela. Com lágrimas nos olhos, o coração sangrando, e o peito extremamente pesado. Estou te escrevendo esta carta, ou para mim, sentença de morte em vida. Como vou negar essa ligação surreal que tivemos desde o inicio? Como passar por algo tão extremamente intenso como o que sentimos uma pela outra desde que nos olhamos, e ainda assim, sair intocado? Impossível.
Isso que aconteceu conosco Helena, acho que jamais nos acontecera novamente, nem se vivermos cem anos. Uma ligação tão intensa, tão surreal, doce e bela, como á que construímos apenas nas duas vezes em que nos vimos, é algo inexplicável. E eu posso dizer com todas as letras, com todas as lágrimas que rolam silenciosas do meu rosto, para não te acordar que te amo e isso que vou fazer é sim, uma atitude covarde, desesperada e inconsequente de alguém que nunca vai saber lidar com o que nós provavelmente teríamos de lidar. Sou covarde Helena, fraca. Jamais saberia lidar com o desprezo da minha família, das pessoas. Mais o pior de tudo não será nem isso. Eu vou ter de reaprender á viver, dia após dias, depois de hoje, depois desta noite, depois de tudo. Vai ser insuportável seguir sem você. Você me deu cinquenta anos de vida em apenas uma noite, Helena. O que eu senti, eu jamais vou sentir novamente, com ninguém. E o que eu sinto por você, jamais se repetirá, com qualquer pessoa que aparecer em minha vida. Você será meu eterno amor secreto. Aquele amor que nos sucumbi por não ter podido vivenciar, aquele amor que nos mata á cada dia, pela saudade, pelas lembranças e pelos momentos por mais efêmero que tenha sido. Foi completo, inteiro, real, e nós duas sabemos disso, nós duas vivemos isso. E ninguém nunca poderá arrancar isso de nós. Eu queria te dar o mundo, minha Helena. Minha amada Helena. Perdoe-me, por mais que essas palavras não façam sentido agora. Só peço que não me esqueça. Estou levando o aquele seu retrato com sua fotografia no Cristo, olhar todos os dias para ela, onde quer que esteja e me arrepender todos os dias da maior burrada e estupidez que fiz na minha vida.

Eu amo você,
Eternamente sua Alice.


Senti meu coração parar ao terminar de ler á carta, senti minha visão embaçando e se não me apoiasse na mesa, cairia no chão.
Desesperada, corri no quarto me troquei e fui até á sua casa.
Quem me atendeu foi Lucas, o meu colega de sala, e irmão dela. Sem entender á minha reação, ele me explicou do jeito que pode que Alice havia saído do país no primeiro voo que tivesse disponível e proibiu que informasse quem fosse o real destino dela. Senti novamente o chão desmoronar sobre meus pés. Óbvio que não contei sobre nós. Inventei uma história qualquer que justificasse todo o meu visível desequilíbrio emocional e mesmo com um ponto de interrogação, ele não me fez mais pergunta. Apenas perguntei como ela estava antes de embarcar, e ele disse que nunca tinha visto á irmã daquele jeito, e que á ultima vez que ela ficará parecida, foi quando sua avó havia falecido á pouco mais de dois anos, e que era isso que parecia que alguém que ela amava demais tinha acabado de falecer.
Não queria ouvir mais nada, agradeci a compreensão e gentileza de Lucas e saí desnorteada, sem destino certo. Cheguei em casa, tomei vários comprimidos calmantes e apaguei, só acordei na noite seguinte, meus pais ainda não haviam retornado, o que era bom, pois não tinha estruturas para inventar histórias para justificar meu estado.



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Aquele mês jamais seria esquecido, assim como ela jamais sairia da minha memória, nem das minhas lembranças, da minha vida, muito menos de mim.

Desde esse episódio eu travei longas batalhas internas, tive picos de alto e baixo, depressão, síndrome do pânico. Dois anos se passaram, e eu terminei á faculdade á custo. No dia da formatura, uma surpresa que não foi o diploma. Eu á vi, na formatura, e do mesmo modo que outrora meu universo havia parado desta vez não foi diferente. Meu coração voltou a sangrar. Ela estava com um homem ao seu lado que segurava sua cintura delicadamente. Seu namorado. Supôs-me. Nossos olhares se encontraram, e vi refletida naqueles mesmos olhos azuis, que um dia eu tanto amei, de tão vivaz que eram um breu, uma escuridão e uma tristeza infinita. Meu coração sangrou ainda mais, por mim, por ela, por nós. Pelo que poderia ter sido, e não foi. E foi mergulhada naqueles mesmos olhos azuis que percebi que assim como á minha dor nunca cessará até aquele momento, a dela também não. E eu tive á mais triste e profunda certeza, que jamais cessaria. Seria um castigo que pagaríamos, por termos sido covardes de não aceitarmos á felicidade quando ela sorriu para nós. Seus olhos azuis se encheram de lágrimas, ela me olhava fixamente, com um olhar de culpa, suplicando perdão, pedindo socorro. E eu nada fiz se não chorar com ela também. Chorar nosso amor não vivido, nossa felicidade abandonada e nosso eterno castigo. Seguir nos amando uma vida inteira, sem estarmos juntas. Saí dali sem olhar para trás, não estava recuperada e já havia tido emoções demais por um dia.

Desde aquele dia não soube mais nada dela. O irmão seguiu em outra faculdade, se formou arquiteto.
E eu? Mais de dez anos, convivo com sua presença constante em minha vida, em forma de dor, lembranças e saudade. Ainda sinto seu perfume, a maciez dos seus lábios. Seus gemidos ainda soam em minha mente como uma inesquecível e rara melodia. Trabalho em uma grande empresa e ainda moro na mesma rua, duas casa antes das dos meus pais. Eu e a Alice, minha gatinha siamesa que é meu xodó.
Não vivo. Arrastos os meus dias á passos lentos e pesados, como se tivesse correntes amarradas á eles. O amor pode destruir sua vida, te dilacerar á tal ponto que você jamais se refaz. O meu consolo seria saber que ela é feliz. Mais infelizmente, eu sei que onde quer que ela esteja, ou o que quer que o destino tenha reservado á ela, o que nos mantém unidas, além do eterno amor, das lembranças e das saudades, é a dor dilacerante e sufocante. Não é uma maneira muito saudável de estar unido á alguém. Mais é o que nos restou, de tudo, é a nossa maior ligação. Nossa eterna e dolorosa ligação.


Fim

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

"Feliz aquele..."


Enxergar, não significar ver!
Feliz aquele que realment , e não apenas enxerga!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pequenos fragmentos de lembranças.


Ontem estava no ônibus, em pé, e observei um senhor e uma jovem sentada ao seu lado. Ele estava lendo uma folha de jornal, e outra deu para a jovem ler também. Não sei se ambos se conheciam ou não. De repente me veio na memória uma pequena lembrança de minha infância, tinha uns seis anos.
Todas as manhãs de fins de semana me levantava e ia para cozinha tomar café com os meus avós, minha avó sempre se levantava cedo, e quando eu percebia que a cama ao meu lado, que pertencia á eles, estava vazia, sabia que era hora de lavantar. Me punha de pé, e ia direto para cozinha. Após o café da manhã, descia as escadas e pegava o jornal que meu avô assinava e recebia todas as manhãs, levava-o para cima, e o abria. Folhava todas as partes, até chegar aos quadrinhos, tirava aquelas folhas, dobrava o restante e dava para o meu avô, me sentava em algum canto e me divertia com as tirinhas que lá estavam, eram minutos alegres, que me perdia naquelas páginas coloridas e cheia de palavras. Não me recordo se já sabia ler, ou se entendia o que lia... mais esses pequenos fragmentos de lembranças vieram me visitar naquele ônibus cheio de pessoas perdidas em seu mundo, ouvindo suas músicas, lendo seus livros, ou simplesmente com olhares perdidos, esperando chegar em seus respectivos destinos. Em meio aquelas pessoas, dei um curto e pequeno sorriso de canto, com os meus pequenos fragmentos de lembranças, de tempos simples, mais alegres, de dias que hoje se tornaram apenas, saudades!

Fugas


Ao longo da minha vida fui acumulando uma certa quantidade de fugas. Nunca fui muito boa para lidar com aquilo que não entendia, então, eu fugia. Não apenas naquelas ocasiões nas quas eu tinha medo, como quando era criança, escapulia do berço e fugia para o quarto dos meus pais, com medo do monstro dos meus pesadelos. Com o tempo medos mais reais foram me tomando, assim como as fugas. Nunca soube encarar muito bem uma perda, fosse ela qual fosse, então fugia, para á música, para as histórias e personagens dos meus filmes e livros, e lá me sentia em casa.
Ah! quem me derá se esses fossem os únicos motivos que me levassem as tais fugas...
Mais infelizmente tenho o habito de fugir daquilo que também me faz bem, de momentos, de pessoas. É como se eu possuisse um alarme interno que avisa que é hora de ir, enquanto tudo ainda está bem... e me afasto, sem motivos aparente, por medo daquilo que me faz tão bem hoje, amanhã me faça sofrer...
Medo, um sentimento constante em minha vida. Medo de sofrer, medo de esquecer, medo de me apaixonar novamente e mais uma vez sofrer, medo do recomeço e dos passos que pretendo dar nesse novo ano que se inicia... medo de ser feliz, como se isso não me pertencesse.
Que eu tenha coragem para encarar tudo que á vida ainda está por me oferecer, sem sentimentos de culpa, sem medos. Quero apenas sentir que tudo que conquistei e ainda consquistarei, de fato, eu mereci e por isso me pertence!