domingo, 30 de outubro de 2011

Saturday Night


Há o vazio. Há também a sensação de perda, de mais um fim de semana, de tantos outros perdidos...
Sons... o único que se ouvia era o da chuva que agora caia fraca e sonolenta, como se os céus já tivessem esgotado toda irá, toda suas dores...
Sempre imaginei a chuva como lágrimas. Lágrimas do senhor que morava lá em cima, e era dono de todo aquele infinito e belo azul. Sempre pensei na minha querida infância. "O senhor lá em cima está triste, ou com raiva, por isso está chorando". Hoje pensei, não foi diferente, uma forte chuva caiu e mais uma vez imaginei isso. Agora ela caí lenta e tranquila, como se o desabafo já tivesse cessado, apenas, momentaneamente.
Mais um sábado, de tantos outros que já se passaram, e tantos lugares imaginei estar. Quantas vidas eu já não vivi através da minha imaginação nesses sábados e madrugadas de domingo perdidas ao vento.
Uma praia. Imaginei tantas vezes uma praia... um tempo tranquilo e ameno, com brisas e o mar calmo. Eu não gostaria de estar sozinha, sempre imaginei alguém comigo em momentos assim... mais quem? Quem? Que pessoa seria suficientemente corajosa para saber lidar com o meu melhor e o meu pior, sem se assustar e fugir logo de início? Que pessoa saberia aceitar minhas mudanças de humor, minhas fases infantis e algumas vezes tristes? E principalmente, que pessoa, mesmo conhecendo tudo isso, permaneceria? Olharia nos meus olhos e diria... "Eu estou aqui, não importa o que aconteça, eu sempre vou estar aqui..." eu provavelmente sorriria e andaria pela praia, pulando ondas e brincando na areia, podendo ser simplesmente eu mesma, sem julgamentos, e saberia que aquela pessoa permaneceria, ali, do meu lado, sem fugir, sem temer.
É nesses momentos que os meus devaneios terminam e eu acordo. Aí me vem a realidade, me vejo sozinha, na mesma noite de sábado e madrugada de domingo. Pensando, imaginando, como esse mesmo sábado poderia estar sendo, se eu não estivesse mais uma vez sozinha nele...
Me pego bronqueando á mim mesma "Menina tola, pare de sonhar, ninguém é especial, nem único, nem inesquecível na vida de ninguém. Acorde, viva sua realidade e faça dela á mais suportável possível, olhe á sua idade, isso não te pertence mais, acorde, vamos acorde e pemaneça acordada!".
Sábados, imaginações, sonhos e ilusões, perdidos em mais um fim de semana só. E mais uma vez luto com a minha maldosa consciência...
"Amanhã será melhor, amanhã será doce".

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Meu melhor amigo.


Me lembro, exatamente de tudo, como se fosse ontem, tudo está guardado aqui dentro, como o mais belo tesouro que alguém pode ter.
Ele era tão pequenino, e frágil, na época, eu também era, mais me sentia grande, forte, perto dele.
A primeira impressão, me apaixonei assim que o vi. Seus grandes olhos castanhos, seus pelos mesclados de branco com mel, ele era o único, seus irmãos eram lindos também, mais de pelagem mais escura e ambos eram iguais. Já ele, ele era diferente, era especial, era para ser meu, estava no destino, dele e meu.
Com os passar dos dias, me impressionei com a enorme habilidade de mutação que aquele pequeno ser tinha. Em apenas 2 semanas havia crescido e tomado diferentes formas. Sua cabeça estava maior, seus olhos mais redondos e mais escuros, seu pelo mais grosso e suas pequenas e fragéis orelhas, maiores também. Um tempo depois descobri que não cresceria muito mais que isso, o que de início foi um alívio, pois achava-o lindo como era.
Quando finalmente o trouxe para casa, depois de um longo mês aos cuidados de sua mãe, pude perceber, que nossa intimidade ia crescendo, e ficavamos mais amigos. A primeira noite, foi inesquecível para mim.
Fiz sua caminha, uma humilde caixa de papelão, com um pedaço de coberta para que ele pudesse descansar, confortavelmente. Assim que apresentei sua nova cama, ele deitou-se, girou.. girou e finalmente achou uma posição confortavel que pudesse descansar. Adormeceu em poucos minutos. Ao ver sua tranquilidade, sai lentamente, apaguei a luz, fechei a porta e fui deita-me. Não deu muito tempo para que acordasse com gritos assustadores, como se algo estivesse sendo cruelmente violentado. Num sobressalto, levantei e pude perceber que era a minha pequena criaturinha, berrando no outro comodo da casa. Fui até lá, assim que entrei ele se calou, me olhou com aqueles grandes olhos castanhos como se dissessem ''Eba!, você me ouviu''. Começou a sacudir sua pequena calda, de alegria e abriu um cantinho de sua boca, como se sorrisse para mim, Não aguentei, peguei-o de lá, e o trouxe para dentro. Deitei com ele no meu antigo colchão na sala, que dava lugar ao sofá, que não tinhamos. Era melhor o colchão, mais confortável, afinal, apenas éramos eu e minha mãe que habitavámos aquela imensa e tranquila casa na época, agora tinhamos mais um membro, mais até outrora, eramos apenas, eu e ela. Começei a acariciar sua cabecinha, suas patinhas, e o cobri com um paninho para que o frio não o acordasse. Adormeceu em minutos. Assim que consegui, peguei-o em meus pequenos braços, aquele corpinho mole de sono, e leve-o até seu cantinho dos sonhos. Acomodei - o da forma mais confortável possivel em sua caixinha, e cobri com o paninho que servia de coberta, parecia um nenem dormindo, nem se mexia. Nunca me esqueço daquele noite.
Nos dois anos seguintes, ele se tornou meu único e melhor amigo, não havia um dia de sábado, que eu não levantasse pela manhã, como era de costume, primeiro que minha mãe, e ficassemos, apenas nós dois, naquela enorme área, com piso azuleijado e liso, passávamos mais de horas ali, brincando.. ele subindo em cima de mim, e mordendo minha mão, eu puxando suas orelhas e jogando a bolinha para que ele me entregasse. Eram horas só nossas. Passeavamos pela rua, que na época era de terra, uma festas para as duas crianças, que éramos. Acho que por isso nos davamos tão bem, eramos crianças, inocentes, nos completávamos.
Outra ocasião que jamais me esquecerei junto dele, foi um ano depois que ele entrara em minha vida. Minha avó nos visitara, era verão na época, nesse dia lavavamos a entrada da frente de casa. Um calor assombroso. A mangueira estava ligada, minha mãe molhava a frente, minha avó, com o balde, jogava a agua com sabão, e eu com o rodo, quase do meu tamanho, puxava a água. E o meu amiguinho peludo, saltava entre nós, como se fosse o melhor dia da vida dele. Não deu em outra, terminado os afazeres, a torneira ainda estava aberta, e a mangueira, escorrendo água. Eu estava na posse daquele grande pedaço de borracha. Peguei a mangueira e não pensei duas vezes, molhei a todos, minha mãe, minha avó e o Lucky, como se chamava meu pequeno companheiro. Nos deliciamos com um banho inocente de mangueira, 3 diferentes gerações, em apenas um momento. Essa lembrança, com ele é uma das mais belas que tenho.
Tudo parecia perfeito, até que nossas vidas mudaram da água para o vinho, quando viemos de mudança para grande selva de pedra. Da liberdade de uma casa grande, para um apartamento minusculo e apertado. Da imensa rua que moravamos, onde eramos livres, para uma cidade, cheia de prédios amontoados, que só de olhar, era craustrofóbico.Mais tivemos de mudar, sofremos essa reviravolta em nossas maravilhosas vidas.
O lugar onde era nosso novo lar, era apertado, pequeno, nem se comparava a enorme varanda na qual cansei de ver meu Lucky correndo e brincando feliz. Ele nunca se acostumara a nossa nova vida na selva de pedra. Seus anos seguintes de vida, se tornaram tristes, melancólicos, monótonos. As vezes, naquele cubiculo que era seu novo lar, eu o olhava, fixamente em seus olhos, tentava encontrar aquele brilho que me lembrara com perfeição, que ele tinha. Nada, seus olhos agora, eram obscuros, tristes, distantes. Perdera sua vivacidade, sua energia, sua ... alegria. E conforme sua idade avançada, mais triste ele ficava. Aos 8 anos, ficou doente, e em umas de suas crises convulsivas, ele não resistiu e partiu. Me deixou, depois de 8 longos anos. Foi um dos dias em que mais derramei lágriamas, foi um dos dias também, em meu coração sangrou, de dor, de ódio de mim mesma, por não ter conseguido faze-lo mais feliz.
Suas lembranças me acompanham. Guardo comigo aquele olhar, não aquele triste, apagado que virá nos ultimos anos. Mais sim, aquele olhar cintilante, meigo, puro, inocente que via, sempre que brincávamos na varanda. Nós dois apenas. Essas memórias, irão comigo, para sempre.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sonho que sonhei


Lembro que foi em uma manhã. Estava fazendo um lindo dia, daqueles que você ao sair na rua sorri e tem a sensação de que tudo será ótimo...
Eu estava com meus pais e paramos com o veículo em frente á uma grande catedral, com um enorme jardim, daqueles que se perde de vista e que qualquer pessoa pensaria em passar o resto de seus dias lá.
Lembro-me que enquanto meus pais se afastavam de mim e entravam na imensa catedral, eu permaneci do lado de fora simplesmente fascinada com a beleza surreal daquele lugar. Saí do meu êxtase e fui vagando por entre árvores e flores.
Sem perceber me deparei com um senhor, ele começou a caminhar na minha direção e começamos á conversar. Não me recordo sobre o que, apenas me lembro o quão aquela presença me fez bem. Em um curto momento de distração, ele simplesmente se fora...
Não sei para onde, não sei como, simplemente se foi e me deixou com uma alegria imensa dentro do coração, que nem eu mesma sabia explicar. Lembro-me também, que estava com um vestido leve e rodado, começei á passear por entre as flores e á acariciá-las, eu pulava e dançava entre elas, mais eram movimentos lentos, como se eu levitasse e pousasse suavemente no chão. Uma sensação de liberdade, alegria e leveza, que não saberia explicar em palavras. Foi assim que retornei ao ponto onde me afastei dos meus pais, sem perceber, como se meu corpo tivesse programado aquele caminho, e minha mente simplesmente se desligasse do resto para dar atenção apenas aquelas incriveis sensações.
Logo acordei, e percebi que tudo não passara de um sonho. Um sonho encantador, belo e leve. Daqueles que se pudesse nunca mais acordaria e residiria para sempre!

domingo, 9 de outubro de 2011

Garotinha dos cachinhos dourados.


Ela tinha três, talvez quatro primaveras vividas...
Mais isso pouco importava aquela garotinha de cachinhos dourados...


Ela passava seus dias á sonhar. Sonhar com castelos enormes e aventuras infinitas. Mais esses não eram seus sonhos favoritos. Ela sempre sonhava com grandes nuvens brancas, como algodão, um belo céu azul e um cavalo branco de asas que voasse e á levasse para os mais belos jardins daquele lindo lugar. Algumas vezes ela sonhava com asas. Suas próprias asas indomáveis, que ela sempre fazia questão de abrir e exibir como a mais preciosa riqueza que possuia...
E assim a garotinha de cachinhos dourados foi crescendo e crescendo e crescendo, mais sempre deixando seu ser imutável. Como se aqueles mesmo sonhos que ela tivera outrora, pudessem, á qualquer instante, resgata-la de sua realidade e transporta-la para seu mundo. Seu pequeno mundo, cheio de sonhos, cores, nuvens, cavalos voadores... mais apenas seu!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mulher


Sou mulher. Não um pedaço de carne exposto no açougue para ser chamada de "delícia" e "gostosa".
Sou mulher. Não um objeto sexual.
Sou mulher. Não um saco de pancadas de homens onde á função é descarregar suas frustações, inseguranças, medos, dúvidas e bebedeiras!
Sou mulher. Não um animal de estimação para ter um "dono".
Sou mulher. E assim como outras tantas por aí quero e mereço respeito. Não apenas pelo sexo oposto, mais pela sociedade também.
Em pleno século em que vivo, ainda vejo preconceito com as mulheres, e quando alguém chega e me fala "que isso não existe mais" eu digo: "errado, isso existe, apenas está mascarado, como tudo hoje em dia".
O ser humano em sí, não apenas as mulheres, merecem respeito.
Respeito! Uma palavra pequena mais de um valor e um significado único que cada dia mais se perde nas atitudes do ser humano. Um valor único que todos deveriam ter e receber, mais que cada dia menos vejo acontecer.