segunda-feira, 28 de junho de 2010

Saudades de mim!


Olhando velhas fotografias, em um dos meus momentos nostálgicos, me deparei com uma especial. Uma de meus 17 anos, há dois anos atrás. Observando a pessoa do retrato, percebi que ela se fora. A menina que lá está, com os olhos brilhantes de excitação e felicidade, se fora, o sorriso tímido, feliz, se fora também. Para sempre, concluí eu, ao terminar de analisá-la. O mais engraçado, de tudo, é que aconteceu a apenas dois anos. De uma menina, cheia de sonhos, esperanças, alegrias e um mundo. Me tornei áspera, seca, ignorante, melancólica.
Hoje, me vejo nos retratos daquela época, não que um dia eu não fora áspera, seca e ignorante. Mais nessa época de minha vida, eu havia esquecido como era ser assim, eu tinha motivos, eu tinha cores, eu tinha .. eles. Que me impulsionavam, que me faziam acreditar de novo na vida. Uma vida solitária que antes eu possuía. Mais... acabou, como se acaba um sonho, um sonho bom, no qual estamos dentro, e queremos permanecer para sempre. E, voltei. De volta a realidade, a triste realidade da solidão, do amargo vazio que deixaram, quando partiram e das lembranças.. Lembranças que deveriam ser como uma bela melodia. Mais em minha mente, se tornam uma triste e melancólica passagem. Elas vem, me assombram, sim, me assombram, por que meu coração dói, e essa dor, é pior que uma dor física. Rasga meu interior, dilacera minha alma. É uma ferida imensa, que não cicatriza, não sara. E as lembranças vem como forma de punhal, para abri-las ainda mais. E então.. elas transbordam, pelos olhos. Gotas imensas e espessas saem rolam pelo meu rosto, e a dor, rasga o peito, uma dor muito pior, e muito mais presente que qualquer dor física. Sim, ela está sempre presente, mesmo em momentos de distração, ela se encontra lá, sempre a espreita, para reaparecer, com mais força e intensidade. Se foram, mais uma vez, e deixaram a saudade. Como diz Mário Quintana: "Da primeira vez que me assassinaram, perdi um jeito de sorrir que eu tinha... depois, de cada vez que me mataram, foram levando qualquer coisa minha..." E dessa vez, levaram minha alma, meu sorriso. Aquele da foto, aquela menina feliz... que eu não conheço mais. Ela se fora, para sempre, isso é fato. Restou-me apenas minha família, que agora é o meu mundo. E se um dia esse mundo chegar a desaparecer, então. Desaparecerei junto dele, pois não terá mais sentido estar aqui. Perdi uma das coisas que mais me eram importantes na vida. Agora, só resta eles. Mamãe diz ''Você arranja outros''. Dúvido! Não são como brinquedos, ou roupas, ou sapatos que substituimos com o tempo. São pessoas, nais quais amei, amo, e amarei até o ultimo dia de minha vida. Não importa o que ocorra, não importa o tempo que passe e não importa quantas chegarem. Ninguém os substituirá. Três anos, quase três anos se passarão. E estão mais vivos do que nunca em mim, mais presentes do que nunca, mesmo distantes. No coração e na mente não mandamos. E o passado, junto com as lembraças, fazem de mim, hoje, alguém apagada, sem luz, uma ''saudade imensa, cercada de carne por todos os lados'', como díria Rubem Alves. Uma saudade gigante, que sente falta daquela garota alegre, despreocupada, feliz com tudo e todos, que sorria, mesmo que seu coração estivesse triste, e que ainda conseguia ver algo de bom, em tudo, e em todos...

Ah! Como eu sinto saudades daquela menina.