segunda-feira, 14 de julho de 2014

"É o que a vida me ensinou..."


"O mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não são sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou..."
(A vida da gente, 2011)


Trecho da obra de Guimarães Rosa, ditas pelo personagem e Professor de literatura Lourenço na trama, que definem bem essa teledramaturgia. Uma das minhas raríssimas favorita, com personagens humanos, sensíveis e reais. Essa trama me marcou de variadas formas e carrego lições importantíssimas que aprendi com cada personagem e cada universo ali retratados, até hoje!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

"Cheia de alegria"


"...você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeito, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente..."
"Para uma avenca partindo"

Caio Fernando Abreu



Minha baixinha, a alegria dos meus dias, mas que uma "priminha" quase uma filha, que acompanhei desde o ventre da minha tia, que desde lá já sabia que ia ser essa baixinha linda, sonhei contigo e disse primeiro que todos "Vai ser uma menininha", dito e feito. Essa semana foi o seu aniversário, 5 aninhos. Poxa vida! Como o tempo passa, aonde você cresceu tanto assim que eu não percebi? Cada ano que passava você teve a capacidade incrível de ocupar um espaço ainda maior dentro de mim, dentro do meu coração, e veja só, deste tamaninho, como pode? Se você soubesse o quanto me faz bem, pequena, o quanto meu amor, carinho e doçura por você só cresce e aumenta, assim como você a cada dia mais. A pessoinha que tem a capacidade de transforma o mais negro dos dias em um festival de cores só com o sorriso que abre no portão ao me ver chegar, a cada abraço esmagadoramente apertado, a cada grude na hora de nossas sessões cinema, a cada "Pima, te amo" que me solta... Ai, essa guriazinha tem esse poder, de me fazer esquecer todos os problemas, amarguras e fases ruins que a vida ás vezes nos impõe, com ela tudo fica simplesmente... mais leve. Assim como você cresce pequena, meu amor por ti também. Minha alegria, minha doce e verdadeira alegria! S2

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"Você não sabe de nada da vida, não viveu nada ainda..."


Essa frase, ou frases parecidas sempre se fazem presentes em discussões quando minha opinião e maneira de ver há vida diverge dos meus familiares, já tinha escutado essa mesma opinião de minha tia há uns tempos atrás e hoje escutei novamente em uma breve discussão com meu pai, creio que no calor da emoção, não sei!
Penso que se formos analisar pelos anos de vida, de fato, nunca saberemos nada sobre a vida e nem nunca viveremos para saber tudo o que gostaríamos de saber, mas geralmente essa frase é usada e empregada por pessoas mais velhas e "vividas" para descaracterizar ou de alguma maneira diminuir opiniões ou maneiras de enxergar/viver há vida de pessoas mais novas que eles, em uma tentativa fracassada de demonstrar uma maturidade superior e impor suas vivências e sua maneira de enxergar a vida como "correta" e/ou melhor a ser seguida. Cada ser humano é único, é um indivíduo com suas próprias experiências, vivências, cada um tem suas dores, suas alegrias, seus medos, e só quem o vive, sabe o grau de importância, só quem passa sabe o tamanho do sofrimento, e desmerecer isso é de uma crueldade imensa. Idade é apenas um número, não se pode desmerecer pontos de vistas e vivências de uma pessoa, baseando-se na idade que ela tem. Eu fico imensamente triste quando uma pessoa desmerece a minha maneira de enxergar a vida, ou as minhas vivências dizendo que não vivi e nem vi nada ainda, que não passei por nada ainda, apenas por que a pessoa é mais velha que eu, eu sei tudo o que passei nos meus 23 anos, e uma coisa eu sei que aprendi, há não desmerecer ninguém, a não desmerecer nem diminuir as vivências de ninguém, a não sobrepor a minha dor, sobre a dor de ninguém, só quem passa sabe. Infelizmente aprendi uma lição neste fim de semana, que expor algumas de minhas opiniões sobre determinados assuntos em ambiente familiar, pode me gerar grandes desconfortos e decepções, então resolvi partir para o caminho mais difícil, me abster de dar minha opinião, de tentar fracassadamente fazer com que pensamentos engessados e limitados, tivessem outras perspectivas, um outro olhar, infelizmente cada dia mais me vejo diferente dos meus familiares, daqueles que tanto amo, e pesamentos e atitudes que tanto me assombram em um ser humano, alguns deles partilham e quando você é 4° pessoa mas jovem de sua família, suas opiniões não são levadas em consideração e tem tanta relevância e importância quanto as dos seus primos de 8, 5 e 2 anos, que por sinal, também deveriam ser ouvidas, quando crianças tem tanto há falar e nos ensinar, quanto nós há elas, mas infelizmente, não é assim. Resolvi então tomar a atitude mais sensata, me abster, talvez eu tente novamente, talvez serão tentativas fracassadas poder fazer-me ouvir, quem sabe ter alguma relevância, mas por hora é melhor deixar quieto, sair de cena e deixar os "adultos" conversarem, como ouvia muito na infância, ás vezes para se ter um convívio harmonioso é necessário tomar determinadas atitudes, mesmo que elas não agradem, mesmo que não sejam as que gostaríamos de tomar, mas naqueles instantes, são necessárias! 

domingo, 6 de abril de 2014

"É que eu não me habituei..."


"Ela: – Falar então de quê?
Ele: – Por exemplo, de você.
Ela: – Eu?!
Ele: – Por que esse espanto? Você não é gente? Gente fala de gente.
Ela: – Desculpe mas não acho que sou muito gente.
Ele: – Mas todo mundo é gente, meu Deus!
Ela: – É que não me habituei..."

(A hora da estrela, página 48 - Clarice Lispector)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Lampejo de memória


Como todos os dias, nada muito diferente dos demais, estava arrumando á louça, uma de minhas tarefas caseiras, mais é engraçado esses momentos, quando dizem que não somos nós que lavamos á louça, mais á louça que nos lava, ou nos leva, eu sou obrigada á concordar, pois são momentos corriqueiros assim, que nos vem á mente as lembranças mais remotas e mais doces de nosso passado, hoje, não foi diferente!
Minha avó sempre me diz "Seu avô te amava muito fia, ele tinha aquele jeito dele, carrancudo, mais ele fazia tudo por você, era o xodó dele..." Apesar dele ter ido novo, e de uma forma extremamente dolorosa, eu tenho na memória a forma como meu avô sempre me tratava, por mais que, depois de crescida e de seu falecimento eu virá á descobrir algumas coisas sobre ele das quais eu não me orgulho muito, isso de forma alguma conseguiu diminuir ou abalar o meu amor por ele, que está sempre ao meu lado, mesmo não sendo físico. Essa lembrança veio tranquila em minha mente. Era madrugada, estava retornando da cidadezinha dos meus avós maternos, ao chegar com os meus pais, ao abrir á porta, me deparei com os dois acordados á nossa espera. Uma festa, uma bagunça danada em plena madrugada, como esses retornos sempre me deixavam felizes, abraços daqui, beijos dali, eu devia ter por volta de cinco anos de idade, não me recordo se tomamos café, ou se apenas tomei meu famoso "tetê" (rs) mais uma coisa que me lembro nitidamente foi de ir dormir com eles depois, a cama de casal deles tinha se tornado um tanto apertada desde que eu nascerá. Deitamos, eu ao lado da minha avó, onde mais tarde deu-se espaço á minha cama, pois durante um ano ali fora meu quarto e meu lugar de repouso, do lado deles. Essa lembrança veio aquecer meu coração, pois sorri, de saudade daquele dia, daquela época, onde tudo parecia tão simples e feliz ao meu redor, mais sem dúvidas á saudade maior é a do meu avô, que mesmo turrão, carrancudo, abria um sorriso largo todas as vezes que me via, me trazia leitinho e pão da rua, pois sabia que eu adorava, e principalmente, me amava, do jeito dele, mais me amava, e isso está cravado no meu coração, para sempre. Nossa mente é onde nossas lembranças, nossas memórias, tudo o que somos e fomos faz morada, é nosso referência, nosso consolo, nosso acesso mais inteiro e completo para trazer de volta aqueles, que mesmo que se foram, estarão sempre lá, por isso acho o mal de alzheimer, uma das doenças mais ingratas e cruéis que um ser humano pode obter em sua velhice, por que é justamente na velhice onde alcançamos nossas experiências, um pouco de sabedoria e principalmente muitas vivências, memórias, lembranças, de lugares, de pessoas que se foram, que retornaram, que ficaram, da família, dos amigos, dos amores, sua referência e perder isso é muito cruel, para ele e para família, por isso rezo á Deus que mantenha isso intacto em mim, minhas memórias, minhas lembranças ao qual sou extremamente grata por poder ter e acessa-la, sempre que bater saudade, sempre que querer reviver, lembrar de um tempo, de um sorriso, de um instante. Reconforta o coração e aquece á alma! 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sobre estar oca... Eu sei!


Vira-se de um lado, vira-se do outro... O relógio marcam 3:00 da manhã e você não consegue desligar seus pensamentos, não consegue á quietude que tanto seu corpo pede e precisa para poder descansar. São centenas os pensamentos, o que foi, o que é, o que será... da sua vida, da suas vivências, dos que te cercam, reler cartas antigas só mostram o quanto o tempo passou e seus sonhos ainda são.. apenas sonhos, o tempo é indelicado ás vezes. E no meio desse turbilhão, você se vê oca, contraditório não? Mais você se pega estagnada devido á sua realidade atual, querendo idealizar inúmeras vontades, viajar, conhecer lugares, culturas e idéias novas, se reinventar, se renovar, e não podendo, então você se sente miúda demais, desinteressante e sem graça... não é justo de sentir dessa maneira, quando já se sentiu completamente o oposto, não é justo se sentir tão oca, não sabendo externa tudo que existe ali dentro, quando o que se tem vai muito além do que se pode expressar, até mesmo em palavras, não é justo desmerecer-se á esse ponto! Mais nessa madrugada foram esses os sentimentos que vieram á me visitar, todos de uma vez, sem conseguir encaixa-los ou guarda-los para depois reavalia-los e pode-los colocar em seus devidos lugares. Sei que é só uma fase, e provavelmente passará, mais á fragilidade e a inquietude que esses momentos provocam, são um tanto perturbadores, á mente e á alma!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"Pra poesia que a gente não vive, transformar o tédio em melodia..."


Os créditos corriam na tela e á velha sensação retornou tão antiga, tão conhecida...Meus 13 anos se passaram ali, bem diante os meus olhos e das sensações que aquele momento me proporcionava. O filme era Waiting for forever ("Esperar para sempre" ou "Te espero eternamente"). Um sábado, uma madrugada insone. Lembrei deste que certa vez assistia com algumas colegas em casa, mais sem prestar muita atenção, acabei não terminando de vê-lo e deixei-o para uma próxima oportunidade. Encontrei-o dentre outros dvd's já vistos e alguns ainda por ver. O filme começou e eu pensei que seria apenas uma leve comédia romântica para distrair um pouco a mente. Enganei-me... Waiting for forever foi um presente para mim, o roteiro, as atuações e o cenário visto de um ponto de vista estético e mais frio, são extremamente medianos, porém os mais sensíveis, captaram sua essência, o que os personagens e suas vidas, ali nos apresentadas apenas em alguns minutos de filme quiseram realmente passar.
Will é um jovem que vive á vida á sua maneira, sem endereço fixo, sem trabalho fixo, sem carro, vive de seu talento como malabarista e artista de rua. Emma é uma jovem, que retorna á sua cidade natal, depois de algumas frustrações em relacionamentos e em sua carreira como atriz, a doença de seu pai, foi o estopim para seu retorno. O que liga esses jovens fora uma infância juntos, de cumplicidade, amizade, carinho e amor. Will perde os pais em um acidente ainda criança e encontra em Emma seu refúgio, sua ligação com a felicidade, e disso nasce um grande amor. Eles crescem e suas vidas tomam rumos distintos. Will, por ser artista de rua, resolve ir atrás de seu grande amor, onde ela vai, ele vai atrás, sem se mostrar, sem ela saber que ele está sempre por perto, pois para ele estar perto dela e vê-la bem, já basta.O que mais me encantou nessa produção foi á extrema leveza na qual o roteiro se desenvolve, como eles se reencontram, entre lembranças e vivências os laços do passado se fortalecem. Ambos tem uma maneira própria de lidar com seus demônios, fracassos e frustrações é isso que os difere, que os torna especial. Por que como o Will diz em sua última carta á Emma "A verdade não é nada. O que você acredita ser verdade, é tudo...". Independente de suas realidades e verdades, Will criou á dele, acreditou e viveu nela, seguiu, mesmo com suas antigas dores. Uma história leve, simples e cheia de significados... Sentindo aquela mesma sensação que sentia aos 13 anos, quando os personagens dividiam comigo suas histórias de vida, suas alegrias, tristezas... Aquela mesma sensação, aquele quentinho no coração, me veio á tona, tão presente, tão conhecido, como um velho amigo que não se vê á algum tempo, e nas idas e vindas da vida, os reencontramos e parece que o tempo o tempo nunca passou. Um sentimento tão meu, de que por mais estranho que estivessem as coisas em minha vida, ou por mais degraus que eu tenha descido ao invés de subido, as coisas podiam e podem melhorar e que não é algo permanente. Se antes o desanimo se fazia presente, Will e Emma me deram um pedacinho de suas histórias, de suas vidas e me mostraram que apesar de... Não se pode desistir, e tudo tem seu tempo, basta não desistir e deixar as coisas fluírem. O desanimo da lugar á esperança, e seu coração se aquece, se enche de calor e você pensa "Apesar de... há de ser".
Os filmes, seus universos e personagens... sempre transformando os meus dias em poesia e melodia. Como serei sempre eternamente grata á eles!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Fechar os olhos e simplesmente deixar sentir!



Mais que apenas ouvir, você fecha os olhos e sente á melodia. Uma corrente elétrica percorre o seu corpo e um arrepio é provocado. Um sorriso salta de seus lábios, por sentir aquela música que tanto te faz bem. Mais que um simples instrumento, o piano e quem o conduz proporciona aos ouvintes uma sensação única de puro êxtase, você é embalado e levado para longe através das leves e suaves dedilhadas d@ pianista.
A minha paixão quando se fala de pianista é o meu querido Yiruma, um coreano que descobri nessas andanças madrugada á fora pela internet, embalou e embala muitas de minhas sensações. Um instrumento que está na minha lista das muitas coisas ás quais aprender antes de partir, e no dia que eu puder dedilhar uma de suas canções em um piano, neste dia estarei mais que feliz e satisfeita!

domingo, 14 de julho de 2013

"Cabeça vazia, oficina do diabo..." Será?


Indo almoçar, e a velha mania de ouvir conversas e comentários alheios á rua e consequentemente comentar sobre os mesmos em pensamentos. Um senhor dizia "Ela tá com depressão, em casa também, sem ocupar a cabeça é aí que o diabo vem e toma conta...". No mesmo instante lembrei do ditado "cabeça vazia, oficina do diabo", ai logo em seguida pensei... Será?
Vivemos em constante correria, atribulado com coisas do cotidiano que não temos tempo de pensar em nós! Um ato que deveria ser simples, mais torna-se nada, perto de tantos afazeres. É na quietude que á verdade se encontra, é no silêncio e na solidão que isto acontece. Quando estamos sozinhos, os pensamentos nos invadem e eles são inúmeros, muitos vem como uma avalanche em nós e de milhares de formas possíveis... aquele sonho não realizado, e simplesmente arrastado para debaixo do tapete, aquele pedido de desculpas que não foi dito por orgulho, aquela oportunidade que foi deixada para trás, um amor, um dia, ou simplesmente um minuto em que tudo poderia ter sido diferente. Podem parecer pequenezas em vista de uma vida inteira que se tem lá fora, onde os minutos e os segundos são cruciais e onde "tempo é dinheiro"... mais ás cobranças vem, e paro para pensar! O tal do diabo não seria á nossa consciência gritando dentro de nós? aquele grito sufocado, esmagado que tanto nos negamos á escutar? Não seria á nossa consciência aproveitando um pequeno momento de descuido nosso para nos cobrar todas aquelas pequenezas que negamos e simplesmente varremos para debaixo do tapete por tomar nosso precioso tempo?
É no silêncio e muitas vezes na solidão que nos encontramos, que fazemos á tão temida e desconhecida viagem, aquela na qual não conhecemos absolutamente nada e que tantos nos assustamos ao adentrar... ao nosso interior. Um lugar até então inóspito, estranho e que pouco á pouco vamos desvendando, descobrindo como funciona. Parece estranho tudo isso, mais muitos temem á solidão, pensar ás vezes é padecer, á consciência ás vezes é cruel conosco e muitos nessa viagem ficam sem saber como lidar direito com tantas cobranças, e descobertas, passado, presente e futuro, turbilhão de sensações e sentimentos te invadindo e é tudo extremamente novo e muitas vezes o pani é resultado disso tudo e é onde muitos estagnam, uns por um dias, outros por meses, outros por anos, cada ser humano tem o seu próprio relógio que merece ser respeitado! A nossa consciência é cruel, á viagem á nosso interior também, cheia de altos e baixos, porém ao fim dela você você saí mais inteiro, se conhecendo mais, com uma visão diferente de você, das pessoas e do mundo á sua volta, não é uma viagem fácil e provavelmente depois da primeira muitas outras ocorrerão, mais estas serão menos estranhas, menos temerosas, por que já não será um lugar tão estranho, e á cada final dela você saíra cada vez melhor e se conhecendo um pouquinho mais, e esse tempo, perdido com você, se conhecendo, não á nada nem dinheiro no mundo que pague!

sábado, 29 de junho de 2013

"Devia ter amado mais..."


Hoje você veio me visitar através de lembranças. Lembranças remotas de infância, á alegria de dias simples, de passeios de carros, eu sempre digo, "ah, se saudades falasse, á minha gritaria!"
Oito anos já se passaram este ano. Oito anos que o senhor se foi, deixando um vazio em nossa família que ninguém nunca vai substituir. Sempre que lembro de ti, além da saudades e das lágrimas, sinto um aperto enorme no peito, por tê-lo tanto julgado, sem saber até mesmo pelo que estava-o julgando, religiões malditas, sempre nos afastando de quem amamos, e nos fazendo lavagem cerebral, mais quando se é criança, não se tem muita percepção disso, e hoje vejo o quanto deixei de aproveitar sua companhia, de conversas, de conselhos, e essa onda de arrependimento me invade, me toma junto com á saudade e as lágrimas, é impossível segurar. A falta e a saudade são imensas.
Sabe Sr. Olívio, ás vezes pego pensando em como seria se o senhor ainda estivesse aqui, não que o senhor não esteja, pois isso eu tenho á certeza que está, mais me refiro á presença física, vendo os pequenos crescerem, acompanhando, assim como me acompanhou, os primeiros passos, quando aprendi a andar e saia do berço, do quarto dos meus pais e me enfiava no meio de você e da vó, a Lari faz isso vozinho, hoje a companhia da Vó é a Larissinha. Fico me perguntando como seria jogar uma partida de buraco com o senhor, um dos vícios da família Barros rs... e me pergunto, quantas broncas o senhor me daria por deixar um jogo passar, e por não ter feito uma limpa, ou batido quando poderia... Quantos momentos já não vivi através destes pensamentos e interrogações, sei que você nos olha e nos acompanha de onde quer que esteja, mais ás vezes á saudade fala mais alto, e a vontade de poder te dar um abraço e um beijinho na careca é maior e infelizmente, neste plano, não poderei mais fazer isso. Sabe Vô, mesmo com a partida dolorosa, o senhor foi me ensinando, me ensinando que á vida é curta demais para não dizer o quanto amamos ás pessoas que nos rodeiam, curta demais para não dizer isso na hora que sente vontade de dizer, e as vezes até usar palavras repetidas como na letra de uma música do legião quando Renato canta "sei que as vezes uso, palavras repetidas, mais quais são as palavras que nunca são ditas?" ainda mais quando essas palavras repetidas e tão tidas são "eu te amo", "sinto sua falta", "queria que você estivesse aqui", "te gosto tanto" entre tantas outras que expressam e passam as pessoas que amamos um sentimento bom, aquele sentimento do quão elas são e representam em nossas vidas, mesmo partindo o senhor me deixou essa lição. Ás vezes sinto sua presença perto de mim, e sei que quando as lágrimas vem e rolam pelo meu rosto o senhor sabe que estou pensando no senhor e sinto saudades, e é nestes dias que me vem as lembranças mais remotas e mais doces nossas, e mesmo com lágrimas nos olhos eu sorrio, com a certeza no coração de um dia nos encontrarmos! Te amo, para sempre!